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Legislação6 min15 de julho de 2026

Saneamento avança após seis anos do Marco Legal, mas meta de universalização segue distante

Seis anos após a aprovação da Lei 14.026/2020, projetos em curso somam mais de R$ 420 bilhões, mas apenas três cidades têm 100% de coleta de esgoto e o ritmo de R$ 48 bilhões/ano nunca foi alcançado.

Saneamento avança após seis anos do Marco Legal, mas meta de universalização segue distante

Seis Anos Depois

Em julho de 2026, o setor de saneamento básico completa seis anos da sanção do Marco Legal (Lei 14.026/2020). Um novo levantamento do Instituto Trata Brasil confirma: houve avanços relevantes, mas a meta de universalização até 2033 segue distante.

Os investimentos cresceram 51% desde a aprovação da lei, e em 2024 o setor recebeu R$ 29,1 bilhões. Ainda assim, o ritmo está abaixo do necessário.

A Realidade dos Indicadores

O estudo reforça dados que mostram o tamanho do desafio:

  • Das 5.570 cidades brasileiras, apenas três (Curitiba, Santo André e Juiz de Fora) têm 100% de coleta total de esgoto;
  • Entre as 27 capitais, apenas cinco possuem ao menos 99% de cobertura no abastecimento total de água;
  • Na coleta total de esgoto, sete capitais têm índice superior a 90%;
  • No tratamento de esgoto, apenas sete capitais apresentam ao menos 80% de tratamento.

O Novo Marco Legal estipulou que 99% da população tenha acesso à água potável e 90% à coleta e ao tratamento de esgoto até 31 de dezembro de 2033.

O Volume de Projetos em Curso

Segundo o Trata Brasil, os projetos já em curso somam mais de R$ 420 bilhões em investimentos, com potencial de beneficiar mais de 100 milhões de pessoas em 2.460 municípios.

Os novos leilões, concessões e parcerias previstas podem adicionar outros R$ 58 bilhões em investimentos.

> "Os próximos anos serão decisivos para transformar os avanços observados até aqui em resultados concretos para milhões de brasileiros que ainda não têm acesso adequado à água tratada e à coleta e tratamento de esgoto."

Leilões com Baixa Concorrência

Apesar do "boom" de investimentos após o marco legal, os leilões de saneamento têm sofrido com baixa concorrência, o que limita ágios no valor de outorga e descontos nas tarifas aplicadas aos consumidores.

Exemplos recentes de resultados abaixo do esperado:

  • Ceará: o leilão da PPP da Cagece arrematou apenas um dos cinco blocos — o Norte-Litorâneo, pelo Consórcio Ceará Saneamento. Os outros quatro blocos não receberam propostas;
  • Goiás: dois dos três lotes da PPP da Saneago ficaram vazios, e o último foi inabilitado;
  • Rondônia: o leilão de 40 municípios, marcado para setembro, enfrenta impasse político que ameaça sua realização — a concessão prevê R$ 8,5 bilhões em investimentos.

A Concentração dos Investimentos

O valor per capita passou de R$ 90,54/habitante para R$ 137,02/habitante, mas ainda está longe dos R$ 225 anuais previstos pelo PLANSAB (Plano Nacional de Saneamento Básico) como necessários.

Em nível nacional, o país ainda precisará aplicar cerca de R$ 430 bilhões em saneamento até 2033 — uma média de R$ 48 bilhões por ano, valor nunca alcançado nos últimos anos.

A Desigualdade entre Estados

O estudo classifica os estados de acordo com o desenvolvimento de projetos. Embora haja projetos em estruturação em todas as regiões, a disseminação do modelo de concessões e PPPs ainda é desigual.

> "Em várias unidades da federação, a estruturação permanece mais lenta, seja por dificuldades institucionais, por indefinições sobre regionalização, por limitações regulatórias ou por maior complexidade político-institucional." — trecho do estudo

São Paulo se destaca: o governo projeta antecipar a universalização para 2029 — quatro anos antes do prazo legal — após os investimentos crescerem 120% com o novo contrato da Sabesp pós-desestatização.

Os Próximos Passos

Os próximos anos serão decisivos. O sucesso dependerá da capacidade de:

  • Transformar contratos assinados em obras concretas;
  • Fortalecer a regulação nos municípios ainda sem agências;
  • Superar a baixa concorrência nos leilões;
  • Reduzir a desigualdade regional no acesso aos serviços.

Fonte:CNN Brasil— Todas as informações foram extraídas e adaptadas da fonte indicada. Acesse o link original para o conteúdo completo.

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