Um Rio em Crise
O Rio Pinheiros, principal afluente do Tietê, percorre 25 quilômetros pela cidade de São Paulo carregando décadas de negligência: esgoto clandestino, carga orgânica elevada e toneladas de lixo acumuladas no leito e na superfície.
Diariamente, cerca de 100 toneladas de resíduos são retiradas do canal por embarcações especializadas — num trabalho incessante que custa aproximadamente R$ 5 milhões por mês aos cofres públicos.
O Novo Plano do Governo Paulista
A CNN Brasil teve acesso, em primeira mão, ao plano do Governo de São Paulo para intensificar a limpeza do Rio Pinheiros:
- Expansão da frota de 8 para 11 embarcações atuando diariamente no canal;
- Aumento de 20% na coleta de lixo flutuante;
- Estrutura composta por 5 conjuntos de embarcação com retroescavadeira embarcada (para resíduos nas barreiras flutuantes) e 6 barcos menores.
Segundo a Semil (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de SP), o canal conta com profundidade de aproximadamente 1,5 metro, mantida pelos serviços contínuos de desassoreamento.
O Que É Retirado do Rio
Os resíduos coletados se dividem em dois tipos:
Superfície: lixo, vegetação aquática, galhos, troncos e detritos flutuantes transportados pela correnteza.
Fundo: sedimentos acumulados no leito — areia, silte e lodo — além de resíduos sólidos depositados ao longo do tempo. Após a coleta, tudo é enviado para o Essencis, o maior aterro sanitário do Brasil, em Caieiras (SP).
"Ainda É Insuficiente"
Apesar do esforço, especialistas alertam que as ações ficam aquém do necessário:
> "A qualidade da água tem se mantido numa qualidade péssima, sempre sendo um dos piores pontos de monitoramento dos relatórios que a SOS Mata Atlântica lança anualmente." — Gustavo Veronesi, coordenador da causa Água Limpa da Fundação SOS Mata Atlântica
Para Veronesi, a melhora real exige ação coordenada de múltiplos atores:
> "Precisa realmente de muito mais ação, tanto da parte da população, mas principalmente por parte do governo do Estado, da Sabesp e também das empresas privadas."
O Problema Raiz: Ligações Clandestinas
A SP Águas reconhece que o principal obstáculo é a regularização das ligações clandestinas de esgoto que despejam efluentes diretamente no canal — responsabilidade que recai sobre a Sabesp, concessionária dos serviços de saneamento na região.
O governo assegurou investimentos voltados à ampliação do saneamento e à recuperação dos rios até 2029, mas ainda não há previsão de uso do canal pela população.