O Tamanho do Desperdício
Um novo estudo do Instituto Trata Brasil, elaborado em parceria com a consultoria GO Associados com base em dados do SINISA (ano-base 2024), revela um número alarmante: se o Brasil reduzisse suas perdas de água ao patamar eficiente, poderia abastecer cerca de 48 milhões de pessoas que hoje não têm acesso a esse recurso.
Em volume, a economia seria de 2,8 bilhões de m³ por ano — suficiente para abastecer a população inteira do Canadá (41,4 milhões de habitantes) durante um ano.
O Diagnóstico Atual
O Brasil perde atualmente 39,5% da água potável nos sistemas de distribuição. A meta estabelecida pelo Marco Legal do Saneamento é reduzir esse índice para 25% até 2033 — uma redução de 14,5 pontos percentuais que exigirá investimento massivo em infraestrutura.
O levantamento abrange:
- As cinco regiões do Brasil;
- Todos os estados e o Distrito Federal;
- Os 100 municípios mais populosos do país, incluindo capitais — os mesmos que figuram no Ranking do Saneamento 2026.
Por que as Perdas Acontecem?
As perdas de água no Brasil têm múltiplas origens:
Perdas Reais (Físicas)
- Vazamentos em tubulações envelhecidas ou mal conservadas;
- Rompimentos em ramais prediais;
- Transbordamentos em reservatórios sem controle automático de nível.
Perdas Aparentes (Comerciais)
- Ligações clandestinas (gatos d'água);
- Erros de medição em hidrômetros descalibrados;
- Fraudes no sistema de faturamento.
O Cenário por Região
A distribuição das perdas é profundamente desigual no território nacional:
- Curitiba (PR) apresenta o melhor desempenho entre as capitais — a única que figura na categoria "rumo à universalização";
- Leme (SP), Balneário Camboriú (SC) e Santa Bárbara D'Oeste (SP) lideram entre cidades de grande porte;
- As capitais do Norte — Belém, Macapá, Manaus e Porto Velho — registram os piores desempenhos.
Os Impactos do Desperdício
As perdas de água não são apenas um problema técnico. Elas têm consequências diretas:
- Ambiental: cada litro perdido representa energia e produtos químicos consumidos inutilmente;
- Econômico: as prestadoras deixam de faturar bilhões por água distribuída e não cobrada;
- Social: regiões com racionamento frequentemente convivem com altas perdas na rede — o problema não é sempre falta de água, mas ineficiência na distribuição.
O Caminho para a Meta
Para atingir a meta de 25% de perdas até 2033, especialistas apontam como urgentes:
- Substituição sistemática de redes envelhecidas;
- Controle setorizado de pressão nas tubulações;
- Tecnologias de detecção de vazamentos em tempo real;
- Combate às ligações irregulares e modernização dos hidrômetros.