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Dados & Pesquisa6 min15 de julho de 2026

Investimento em saneamento cresce 51% após Marco Legal, mas ritmo ainda fica abaixo do necessário para 2033

Levantamento do Instituto Trata Brasil mostra que o investimento médio por habitante passou de R$ 90 para R$ 137 entre 2020 e 2024. O país ainda precisa de cerca de R$ 431 bilhões para universalizar os serviços até 2033.

Investimento em saneamento cresce 51% após Marco Legal, mas ritmo ainda fica abaixo do necessário para 2033

O Que Mostrou o Estudo

Seis anos após a aprovação do Marco Legal do Saneamento Básico (Lei 14.026/2020), um levantamento do Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados — divulgado em 15 de julho de 2026 — mostra que o investimento médio anual por habitante no setor cresceu 51% entre 2020 e 2024, passando de R$ 90,54 para R$ 137,02.

Apesar do avanço, o ritmo ainda é insuficiente para garantir a universalização dos serviços até 2033, meta estabelecida pela legislação.

Os Números em Detalhe

Os investimentos em saneamento somaram R$ 112,6 bilhões entre 2020 e 2024. Em 2024, último ano com dados consolidados, o setor recebeu R$ 29,1 bilhões em investimentos.

Apesar do crescimento, o valor por habitante ainda está distante dos cerca de R$ 225 por ano estimados pelo Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) como necessários para alcançar as metas de universalização.

O que o estudo aponta:

  • Investimento por habitante cresceu 51% no período, alcançando R$ 137,02 em 2024;
  • Investimento estimado como necessário para cumprir as metas: cerca de R$ 225 por habitante/ano;
  • O setor precisa manter investimentos próximos de R$ 48 bilhões anuais até 2033;
  • Ainda faltam aproximadamente R$ 431 bilhões para universalizar os serviços.

> "O desafio da universalização permanece enorme. Precisaremos manter um ritmo de R$ 48 bilhões em investimentos ao ano, algo ainda inédito." — Luana Pretto, presidente executiva do Instituto Trata Brasil

A Meta do Marco Legal

A lei estabelece que, até 2033:

  • 99% da população brasileira tenha acesso à água potável;
  • 90% da população conte com coleta e tratamento de esgoto.

Atualmente, 15,9% dos brasileiros não têm acesso à água potável e 43,3% não contam com coleta de esgoto — dezenas de milhões de pessoas sem serviços básicos.

Avanços desde a Criação do Marco Legal

O principal efeito observado nos últimos seis anos foi o aumento do número de projetos estruturados. Os contratos já assinados têm potencial para beneficiar mais de 100 milhões de pessoas em 2.460 municípios.

Há ainda projetos em preparação que preveem R$ 58,4 bilhões em investimentos adicionais e poderão atender outros 18 milhões de habitantes em 625 municípios.

Ao todo, os projetos contratados ou em execução somam mais de R$ 420 bilhões em investimentos previstos.

O Gargalo Regulatório

Cerca de 20 milhões de brasileiros vivem em 963 municípios que ainda não possuem agência reguladora cadastrada na ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico).

Entre as entidades registradas, apenas 29 agências comprovaram adesão integral às normas de referência da ANA. Juntas, atendem 2.809 municípios e cerca de 92 milhões de habitantes — o equivalente a 43% da população brasileira.

Na avaliação dos autores, esse cenário pode dificultar a fiscalização dos contratos e reduzir a segurança jurídica necessária para atrair investimentos de longo prazo.

Desigualdade Regional Permanece

Os investimentos continuam concentrados geograficamente:

  • O Sudeste recebeu mais da metade dos recursos aplicados desde 2020, impulsionado principalmente por São Paulo;
  • A Região Norte, com alguns dos piores indicadores, recebeu apenas R$ 5,3 bilhões no período, apesar do grande déficit de atendimento.

O Que Falta para Atingir as Metas

Para o Instituto Trata Brasil, o país avançou na estruturação de projetos, mas os próximos anos serão decisivos para transformar contratos em obras e ampliar o acesso da população aos serviços.

Prioridades apontadas pelo estudo:

  • Manutenção do crescimento dos investimentos;
  • Fortalecimento das agências reguladoras;
  • Ampliação da adesão às normas da ANA;
  • Avanço da regionalização dos serviços;
  • Execução dos projetos já contratados.

Fonte:G1 / Instituto Trata Brasil— Todas as informações foram extraídas e adaptadas da fonte indicada. Acesse o link original para o conteúdo completo.

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