O Alerta que Sacudiu o Setor
Em entrevista à CNN Brasil publicada em 1º de junho de 2026, Radamés Casseb, CEO da Aegea — a maior operadora privada de saneamento do Brasil, com presença em 890 municípios de 15 estados —, fez uma declaração que resume o estado atual do setor: "Não dá mais".
A frase resume a avaliação do executivo sobre a viabilidade de cumprir a meta de universalização do saneamento até 2033, estabelecida pelo Marco Legal do Saneamento (Lei 14.026/2020).
O que o Marco Legal Exige
A lei aprovada em 2020 determina que até 31 de dezembro de 2033, o Brasil atinja:
- 99% da população com acesso a água potável;
- 90% da população com coleta e tratamento de esgoto.
São metas ambiciosas para um país que hoje tem cerca de 90 milhões de pessoas sem coleta de esgoto e apenas 84,1% de cobertura de água tratada (Fonte: SINISA 2024).
Por que 2033 se Tornou Inviável em Muitos Lugares?
O diagnóstico de Casseb é técnico e preciso. Estruturar um leilão de saneamento não é um processo rápido. Segundo o CEO, leva em média dois anos apenas para:
- Fazer a modelagem do contrato;
- Obter os avais das instâncias legislativas municipais e estaduais;
- Passar pelos órgãos de controle (TCE, TCU);
- Estruturar e realizar o leilão.
Isso significa que um município que ainda não deu o primeiro passo — e há muitos nessa situação — simplesmente não tem tempo hábil para concluir o processo, assinar o contrato, iniciar obras de expansão e atingir as metas até 2033.
Quem Ainda Está Para Trás
Estados como Rondônia e Rio Grande do Norte ainda estão estruturando suas concessões ou PPPs. O estado de Goiás tentou um leilão em março de 2026, mas não houve interessados — e precisará refazer o processo.
Em algumas circunstâncias, o próprio Marco Legal admite a prorrogação do prazo até 2040. E há projetos de lei tramitando no Congresso Nacional que buscam oficializar essa extensão.
A Boa Notícia: o Fluxo de Leilões Continua
Apesar do tom de alerta, Casseb ressalta que os processos já em andamento garantirão um fluxo contínuo de leilões e investimentos nos próximos anos. Quem já começou — e há muitos estados e municípios nessa fase — deve avançar significativamente na cobertura, mesmo que não atinja 100% até 2033.
Responsabilidade Coletiva
Para o CEO da Aegea, a universalização do saneamento é um desafio que transcende o setor privado:
> "Esse desafio, como qualquer mudança social, é de todos nós. Eu me incluo nisso, incluo os órgãos de comunicação, os órgãos de controle."
O alerta serve de estímulo para que municípios que ainda não iniciaram o processo tomem decisões rapidamente — cada mês de atraso é um mês a mais de população sem saneamento adequado.
